Conheça-se A Si Mesmo Como Investidor Com 7 Perguntas Simples

Por Kayleigh Yerdon, Estagiário do Verão de 2015, Universidade de Cornell Como investidores, muitas das nossas escolhas devem ser pensadas de maneira clara e sistemática. Decisões arbitrárias ou caprichosas podem custar-nos muito dinheiro. Antes de fazermos qualquer decisão de investimento, temos que avaliar as opções disponíveis. Devemos comprar títulos? Ações de grande capitalização? Fundos de índice (ETFs)? Por quanto tempo devemos manter nossos investimentos? Em que ponto dobraremos a aposta ou liquidaremos o investimento? Estas questões, juntamente com muitas outras, apenas podem ser respondidas depois de compreendermos verdadeiramente nossos estilos pessoais de investimento.

Embora "conhecer-nos nós mesmos" possa parecer um conceito simples, pensar seriamente (e até mesmo escrever) sobre nossas preferências pessoais, metas numéricas e prazos individuais pode facilitar nossas decisões e nos ajudar a alcançar nossos objetivos finais. Além disso, o ato de escrever essas respostas pessoais pode nos ajudar a recordar e a manter firmemente nossas metas no longo prazo. Investidores, peguem uma caneta e um papel porque estão aqui sete questões essenciais que você deve abordar para que você se conheça melhor como investidor:

  1. Quantos anos você tem?

(Tradução: quanto tempo falta para você se aposentar?) Não é segredo nenhum que muitos dos nossos hábitos de poupança e investimento são influenciados por nossa idade e pela idade com a qual nós gostaríamos de nos aposentar. Uma pessoa na casa dos vinte pode ter mais dificuldade em poupar dinheiro do que uma pessoa com cinquenta anos, devido ao início de carreira, ao pagamento do aluguel ou da hipoteca, e aos empréstimos universitários, entre outras coisas. Por outro lado, um investidor na casa dos vinte anos pode estar mais inclinado a assumir investimentos de risco do que um investidor que planeja se aposentar nos próximos anos, uma vez que tem mais tempo para recuperar o dinheiro que pode perder. Basicamente, a maneira como você responde a esta pergunta pode dizer muito sobre sua tolerância ao risco.

Resumindo: Anote a diferença entre sua idade de aposentadoria ideal e sua idade atual. Pode ser uma boa ideia reduzir o risco de investimento à medida que esse número vai diminuindo.

  1. Quando você começou a investir?

Esta pergunta aborda a questão da experiência. Há quanto tempo você criou sua primeira carteira de investimentos? Você acredita que consegue escolher ações que permitirão obter rendimentos acima da média? Se você tem vários anos de experiência em investimento, sua confiança será, muito provavelmente, maior do que a de um investidor novato. Muitas vezes, a experiência significa uma maior tolerância a investimentos de maior risco. Antes de definir metas ou determinar sua preferência de risco, é prudente avaliar sua experiência e confiança em investimentos.

  1. Quanto dinheiro você pode se dar ao luxo de perder?

Compare os possíveis riscos com as possíveis recompensas. Perder uma certa porcentagem de sua carteira de investimentos irá reduzir significativamente o seu padrão de vida? Anote o percentual de sua carteira que você acredita que pode se dar ao luxo de perder. Ao fazer isso, considere seu orçamento (se você não tem, faça!), sua estabilidade no emprego e sua renda. Com uma porcentagem superior (ou preço de reserva), você pode pensar em investimentos mais arriscados.

  1. Você é extrovertido?

De acordo com a revista Psychology Today, as pessoas extrovertidas são, do ponto de vista psicológico, mais propensas a correr riscos do que as pessoas introvertidas. Uma das teorias afirma que as pessoas extrovertidas estão simplesmente mais confortáveis com tudo o que as cerca. A ideia de fracasso parece assustá-las menos, e estas pessoas são mais propensas a admitir quando cometem erros. No mundo do investimento, estas duas caraterísticas são enormes barreiras mentais. Muitas vezes, o risco assusta os investidores, porque as pessoas, naturalmente, não gostam de falhar e não gostam de admitir quando tomaram uma decisão errada. Conhecer seu nível de extroversão (alto, moderado ou baixo) pode ajudá-lo a decidir qual o nível de risco que você está disposto a assumir.

  1. Você é organizado?

A organização é outro grande componente mental do investimento. Em psicologia, esta característica é muitas vezes chamada de "conscienciosidade". Em termos de investimento, a conscienciosidade pode referir-se a várias coisas, desde a frequência com que você verifica sua carteira de investimentos até à preocupação que seus investimentos existentes suscitam em você. Normalmente, os investidores com elevada conscienciosidade reestruturam suas carteiras com mais frequência e se preocupam mais com seus investimentos atuais, tendendo por essa razão a preferir investimentos de curto ou médio prazo. Os investidores menos organizados não verificam suas carteiras de investimentos tão frequentemente e não gostam de reestruturar muitas vezes. Escreva seu nível de organização e conscienciosidade para determinar seu horizonte temporal de investimento.

  1. Quantas vezes você se arrepende de más escolhas?

Recorde alguns momentos em que você não fez as escolhas ideais; quanto tempo demorou para você superar essas escolhas? Você é o tipo de pessoa que consegue esquecer as más escolhas, classificá-las como custos irrecuperáveis, e seguir em frente? Ou você guarda rancor e deseja que as coisas tivessem funcionado de forma diferente? Se normalmente você lamenta as "más escolhas" por muito tempo, os investimentos extremamente arriscados ou de curto prazo podem não ser os melhores para seu tipo de personalidade. Se você consegue facilmente seguir em frente sem duvidar de si mesmo, talvez você deva pensar em investimentos mais arriscados. Conhecer-se a si mesmo no que concerne suas emoções e sua maneira de tomar decisões pode ajudá-lo a escolher investimentos que sejam mais confortáveis para você.

  1. Qual a ambição de seus objetivos?

Pense em seu futuro. Quais as coisas que você precisa poder pagar? Quais as coisas que você quer poder pagar? Escreva essas metas para ter uma boa noção de quanto você gostaria que seu dinheiro crescesse, juntamente com seu cronograma para atingir esses objetivos. Seus objetivos pessoais podem ajudá-lo a determinar quanto dinheiro você precisa economizar e que tipos de investimentos você deve fazer com esse dinheiro. Além disso, colocar seus objetivos por escrito é um bom lembrete de suas ambições para o futuro.

Através do exercício de escrever as respostas a estas sete perguntas, você deverá adquirir uma percepção mais clara de seus traços de personalidade e de suas metas, entendendo melhor a maneira como estes afetam sua tolerância ao risco, seus horizontes temporais, e seus objetivos financeiros. Mantenha estas respostas acessíveis à medida que você investe, porque conhecer-se a si mesmo como investidor é um dos aspetos mais importantes para o planejamento financeiro e para alcançar seus objetivos de forma realista.