Aí vem o Fed.

Por Brian Dolan, Estrategista-Chefe de Mercado. O Federal Open Market Committee (FOMC), órgão que define as políticas da Reserva Federal dos EUA (Fed), irá anunciar a sua mais recente decisão na quarta-feira, 27 de janeiro, pelas 14h (ET). Tal como o mercado, nós não estamos esperando qualquer mudança no índice de referência do Fed Funds Target Rate (que estabilizou entre os 0,25% e os 0,50%) ou em quaisquer outras políticas do Fed. Mas isso não significa que o anúncio do Fed não terá impacto nos mercados. Pelo contrário, eu antecipo que o Fed irá fornecer orientações que poderão alterar significativamente as expectativas do mercado para os próximos trimestres, no mínimo.

Vamos primeiro olhar para o passado e ver o quanto as expectativas já mudaram. Nas semanas após 16 de Dezembro, quando o Fed anunciou a última subida das taxa de juros, os preços de mercado mostravam uma probabilidade do Fed anunciar outra subida de taxas em sua reunião de 16 de março ligeiramente superior a 50% (zero para 27 de janeiro.) Após a queda do mercado no início do ano, as expectativas para uma subida em março caíram em mais de metade, fixando-se nos 23,5% atuais (Veja abaixo). Isso significa que já houve um ajuste significativo de preços, pelo menos no que diz respeito aos preços dos futuros do Fed Fund. Em outros mercados importantes, não tanto.

Fed

Fonte: Bloomberg; DriveWealth

O Fed Sabe Dançar?

O Fed vai ter muita dificuldade para encontrar a linguagem adequada para dizer que não está estudando novas subidas de taxas, mas essa deverá ser a conclusão que os investidores vão retirar do comunicado. O Fed terá que reconhecer a recente turbulência do mercado e as preocupações com o crescimento global: mas não demasiado, para não criar a impressão de que a política do Fed está sendo ditada por acontecimentos externos - mesmo que seja assim. O Fed corre, por isso, o risco de parecer desalinhado com as preocupações do mercado.

Como tal, é provável que a reação do mercado ao comunicado do Fed seja gradual, evoluindo ao longo de várias semanas e não em poucos dias. E pode haver um movimento contraditório: pelo menos no início, eu creio que há uma grande possibilidade de que os mercados analisem mal as orientações do Fed, interpretando uma perspectiva potencialmente complacente como uma falta de capacidade de resposta. Se o Fed conseguir indicar, por exemplo, que as coisas pioraram mas que os planos do Fed continuam firmes, o sentimento de risco pode piorar significativamente, fazendo os mercados caírem outra vez.

Eu interpretaria esse desenvolvimento como uma nova oportunidade de adicionar posicionamentos de risco (ações dos mercados desenvolvidos e emergentes com potencial de subida), na perspectiva de que o Fed acabará por ser forçado a abandonar novos aumentos da taxa, pelo menos, para os próximos dois trimestres. A tendência global de políticas de acomodação por parte dos bancos centrais não mudou, e as autoridades do Fed não podem nadar contra a maré por muito tempo.

O Quadro Geral Ainda Favorece os Ativos de Risco

O Fed acabará por comunicar essa mudança com mais clareza, uma vez que os dados continuam a prever baixas taxas de inflação e perspectivas de crescimento modestas a nível nacional e internacional. Essa imagem pode levar várias semanas a ser assimilada pelos mercados, e foi por isso que eu afirmei que a reação ao comunicado do Fed deverá evoluir de maneira gradual. Mas isso dá aos investidores mais tempo para acumular investimentos de baixo custo durante o período de contração.

Se eu estiver errado e o Fed apertar o botão de 'Pânico', então os mercados poderão ter movimentações mais rápidas e acidentadas. No entanto, o resultado será igual. Mais turbulência no mercado prejudicaria o sentimento dos consumidores e os investimentos das empresas, deixando as perspectivas econômicas dos EUA sob pressão e forçando o Fed a abandonar sua política de normalização. Em ambos os casos, o Fed se manterá mais acomodatício do que os mercados esperavam anteriormente, e isso deverá contribuir para a sensação geral de risco.