Como Usar a Votação do Brexit a seu Favor

Por Brian Dolan, Chefe de Estratégia de Mercado, DriveWealth Vai Ser Acirrado

Antes de começarmos, para aqueles que não estão familiarizados com o termo Brexit, ele refere-se ao plebiscito que acontecerá no dia 23 de junho no Reino Unido e que decide se o estado deverá sair ou permanecer na União Europeia (EU). Saiba mais clicando aqui. A decisão de saída (Brexit = Britain + Exit, ou, em português, Grã-Bretanha + Saída) da EU irá, possivelmente, abalar a economia da região nos próximos anos, além de gerar uma volatilidade intensa no mercado global. A saída afetaria de moedas a ações e, também, títulos, já que os investidores irão fugir dos ativos arriscados (ações, commodities e FX) e buscarão refúgio em ativos seguros, principalmente títulos de fora do Reino Unido.

Declínios recentes em mercados por todo o globo foram atribuídos a preocupações relacionadas a um possível Brexit, já que as pesquisas mais recentes indicam que o lado que vota por “Sair” está na frente do lado que vota por “Permanecer”. A Survation, uma empresa de pesquisas do Reino Unido, divulgou hoje os resultados de um questionário que indica que aqueles que votam por “Sair” representam 45%, enquanto os que votam em “Permanecer” representam 42% (confira no gráfico abaixo). Outras pesquisas indicam uma liderança similar do Brexit, mas o número de “não sei/indecisos” gira em torno dos 13%, deixando claro que ainda não há nada certo.

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Fonte: Bloomberg; Drive Wealth

Apesar disso, empresas de apostas do Reino Unido, como a Ladbrokes e a Betfair, estão definindo menores probabilidades de uma vitória do Brexit, afixando as chances do Reino Unido de permanecer na UE na faixa dos 60%. A atitude dessas empresas de apostas indica que eles esperam que a opção do Brexit se torne a favorita nos próximos dias caso a tendência de apostas recentes continue. Implícita nas probabilidades atuais favoráveis ao “Permanecer” está a visão deles de que os indecisos irão optar a favor de continuar como estão (Permanecer) na hora de votar. Uma situação similar aconteceu no plebiscito de 2014 da Escócia onde seria decidido se o país deixaria ou não o Reino Unido. Eu estou fortemente inclinado a ir com esse cenário, e ainda chegaria a arriscar por volta de 58%-42% na vitória do “Permanecer”.

A Volatilidade Pode Trazer Oportunidades

Os mercados estão claramente bastante vulneráveis ao resultado do plebiscito e, enquanto as pesquisas indicarem uma liderança do Brexit, a sensação de risco deverá continuar nitidamente negativa. Isso fez com que a libra esterlina (GPB) caísse cerca de 5%, a Euro Stoxx 600 caísse cerca de 10% e o índice UK’s FTSE 100 cerca de 7%, tudo isso nas últimas duas semanas. Os mercados de ações americanos e asiáticos também foram afetados negativamente. Para quem busca segurança, o ouro está sendo cotado no maior preço do ano e os títulos do Tesouro Americano estão de volta a preços tão baixos quanto os vistos no alvoroço do mercado do começo do ano.

Caso o Brexit prevaleça, a volatilidade negativa deverá crescer. Analistas sugerem que o GBP poderá cair por volta de 10-20% imediatamente após a votação, e ações do Reino Unido e Europa deverão cair ainda mais. Outros mercados globais deverão seguir esses passos, gerando, possivelmente, uma queda em efeito dominó que poderá sair de controle no curto prazo. Foi dito que bancos centrais mundiais elaboraram providências coordenadas para garantir a liquidez e possibilidade de intervir para estabilizar os mercados de câmbio.

Este seria o pior cenário. Na minha opinião, o Brexit não acontecerá, e creio que os mercados deverão voltar ao normal rapidamente caso a votação decida a favor de permanecer. Isso significa que as quedas do mercado que estão acontecendo representam uma oportunidade de compra dos ativos de risco mais abordados, ações em geral, ações da Europa e Reino Unido e GBP. O “timing”, como sempre, será a parte complicada, e a minha sugestão seria aquisições progressivas de posições longas em itens frágeis restantes até o final da votação do dia 23 de junho, além de manter alguns fundos intactos para o caso do Brexit ser aprovado e o mercado cair ainda mais.

Brexit e Além

Mesmo que o Brexit ganhe, creio que aquisições oportunistas de risco de longo prazo são a melhor estratégia a seguir. O mundo não irá acabar no dia seguinte à votação do Brexit. Pode parecer que será assim por alguns dias para os mercados até que a poeira baixe. Na realidade, levará vários anos para que o Reino Unido corte seus laços com a União Europeia e para que todo o desfecho negativo aconteça por completo, criando diversas oportunidades em mercados que estarão em pânico oferecendo preços mais baixos. (Dito isto, eu não mexeria com o GPB, de um jeito ou de outro).

Para mim, o maior risco é de que eu esteja certo: O brexit perderá e os ativos de risco voltarão com tudo. Mas e se esse retorno se provar de curto prazo e for revertido, fazendo com que os ativos de risco voltem a cair? Este cenário sugere que a fragilidade atual não é apenas resultado do medo pelo Brexit, mas que é algo muito mais ameaçador. Na minha opinião, ele sugere que os mercados estão revivendo a experiência do começo do ano, quando o crescimento mundial pesou bastante na visão do investidor, fazendo com que uma liquidação generalizada fosse observada no mercado de ações global.

Já tivemos diversos sinais de que a recuperação global está indo de mal a pior, com destaque, principalmente, para os resultados americanos abaixo do esperado, reforçados por uma declaração cautelosa do Fed ainda ontem. Nas semanas seguintes ao plebiscito do Reino Unido, receberemos diversas informações-chave da China (Caixin PMI, PMI Industrial) que também poderão causar volatilidade caso se mostrem frágeis.

Como poderemos saber que uma grande liquidação de mercado está para acontecer? Assumindo que o Brexit perca, quedas subsequentes abaixo da maior baixa observada antes da votação do Brexit seriam um sinal de que o mercado está vendo além do Brexit e não gosta do que está lá.