Como as Eleições dos EUA Afetará os Mercados?

Por Brian Dolan, Estrategista de Mercado, DriveWealth Se Você Pensava que as Prévias das Eleições Foram Loucas…

Agora que a temporada de prévia das eleições presidenciais está acabando e os dois principais candidatos ficam claros (Donald Trump e Hillary Clinton), é hora de dar um passo para trás e considerar como a eleição presidencial dos EUA afetará os mercados.

Para começar, se há uma coisa que aprendi com este ciclo da eleição é esperar o inesperado. De fato, pode haver mais surpresas acontecendo nas convenções partidárias em julho. E, mesmo após as convenções escolherem seus candidatos, ambos candidatos possuem várias nuvens pairando sobre suas cabeças: Clinton está sendo investigada pelo FBI devido ao uso de e-mails pessoais enquanto era Secretária de Estado e, Trump? Bem, digamos apenas que ele é o Trump. A meu ver, os investidores precisam se preparar para mais incertezas da esfera política no desenrolar da campanha principal.

À medida que a campanha se intensifica, podemos também esperar mais retórica de confronto de ambas as campanhas, jogando uma cortina de fumaça sobre a cobertura do noticiário tanto sobre a economia quanto sobre a situação política geral dos EUA. Já houve uma queda notável na confiança do consumidor americano nos últimos meses, com muitos analistas atribuindo pelo menos parte do declínio à negatividade da temporada das prévias.

A atmosfera circense que emana da campanha de Trump também destaca o grau de disfunção do sistema político dos EUA, muito além inclusive do que existia nos últimos sete anos. Tomados em conjunto, há uma maior deterioração em ambas confiança do consumidor americano e as percepções globais dos EUA, já que a fonte de estabilidade não basta para um ambiente de mercado especialmente otimista.

Como Entender as Pesquisas de Campanha

Espero ver muitas histórias sugerindo que os dados das pesquisas está cada vez mais sem sentido, mas também espero que as pessoas e os mercados ainda respondam aos futuros resultados da pesquisa. No esquema geral da aparente campanha presidencial Trump x Clinton, meus cálculos serão baseados nas premissas de “conhecido” (Clinton) x “desconhecido” (Trump). Após décadas no governo, Clinton é relativamente “conhecida”, enquanto Trump tem demonstrado um grau de imprevisibilidade e uma falta de especificidades políticas, fazendo com que ele seja o elemento “Desconhecido.”

Com o candidato “conhecido” liderando as pesquisas, é mais provável que o Mercado não será afetado e responderá principalmente com notícias e dados econômicos diários. Quanto mais o candidato mais “desconhecido” estiver mais perto ou potencialmente à frente nas pesquisas, mais instável acredito que o mercado fique. Acho que é mais provável que vejamos efeitos assimétricos onde notícias/dados econômicos resultam em volatilidade negativa, enquanto notícias/dados positivos tendam a ser descontados, com variações ascendentes menores e mais curtas nos mercados de ações.

Ver Além da Casa Branca

Economistas normalmente têm dificuldade de atribuir o desempenho econômico às políticas de um único presidente, levantando a questão de se realmente quem quer que vença a corrida à Casa Branca tem algum impacto real na economia ou no mercado. Mais importante, a meu ver, será como a corrida presidencial afeta as eleições do congresso (Câmara e Senado) e até mesmo competições eleitorais estaduais. Estes são os níveis de governo que têm a capacidade de implementar políticas fiscais e de despesa e, por fim, influenciar as perspectivas econômicas.

A este respeito, o resultado da disputa presidencial pode ter um grande impacto sobre o resultado das eleições em níveis menores. A regra geral é que quanto maior a margem de vitória/derrota no nível presidencial, maiores serão as chances de fluir para as disputas do congresso e as eleições estaduais. Por exemplo, uma vitória esmagadora por um partido é provável ver ganhos semelhantes por esse mesmo partido em eleições no congresso e estaduais. A corrida presidencial com resultados próximos detém menos implicações para as eleições do congresso e estaduais.

election polls

Os mercados ficarão mais intensamente focados nas eleições do congresso, onde atualmente os republicanos controlam ambas as casas (Câmara dos Deputados e Senado), que está na base do atual impasse legislativo entre o presidente (Democratas) e o congresso (Republicanos). Os democratas poderiam conseguir o controle do senado elegendo de 4 a 5 cadeiras, o que provavelmente necessitaria de uma grande margem de vitória na corrida presidencial. No entanto, mesmo que o controle do senado mude de mãos, é muito menos provável que a Câmara também mude, deixando um congresso dividido e paralisia legislativa contínua.

Apenas uma corrida presidencial com vitória garantida, onde um partido parece que vencerá tudo — a Casa Branca e as duas casas do congresso — parece ter um efeito pronunciado sobre os mercados e as perspectivas econômicas. Para o que vale a pena, o resultado da eleição nacional de Pesquisa de Política Pública mais recente (10 de maio) mostra Clinton liderando com 6 pontos de diferença com relação a Trump — 47 – 41 — em uma disputa um a um. A margem é ainda menor (Clinton liderando com 4 pontos de diferença) quando outros candidatos (Partidos liberais e verdes) estão inclusos. Ainda é muito cedo para inferir algo significativo com os números da pesquisa, mas se há alguma coisa que podemos esperar de novembro é que vai ser uma surpresa. Para os mercados, no entanto, eu veria as eleições mais como um espetáculo à parte.

Perspectivas do Mercado

Para os investidores, eu ficaria focado nos futuros dados econômicos, no FED iminente (15 de junho) e as decisões Brexit (23 de junho). No que concerne às eleições, o impacto do mercado tende a ficar essencialmente inerte. Não espere nada positivo em forma de incentivos vindo de Washington tão cedo, e pode até mesmo haver outro impasse do teto da dívida como conluio para as eleições de novembro.

Dadas as incertezas do ano eleitoral e a perspectiva global sem brilho dos EUA, os investimentos corporativos não parecem ter um crescimento significativo nos próximos meses também. Isto deixa os consumidores americanos como os principais condutores da expansão atual (As vendas de varejo de abril na sexta-feira nos EUA será a chave). Na medida que a confiança do consumidor é prejudicada por uma campanha vitriólica, o viés do gasto do consumidor também está inclinado para o lado negativo.

election stock market impact

Fonte: Bloomberg; DriveWealth

Desde meados de abril, os mercados globais têm rastreado novamente cerca de 25% de recuperação das quedas de fevereiro (ver tabela acima). Minha visão geral é que haverá ainda uma correção negativa, embora pudemos ver alguns movimentos laterais prolongados para as próximas semanas. Uma gota na nuvem (área azul) em um movimento abaixo de 392 (e subindo) no Índice Muncial MSCI sugere outra correção inferior iminente. Forças sustentadas acima das altas recentes de 410 serão necessárias para sinalizar o potencial de crescimento renovadol.