Eu Adoro Quando um Plano Resulta

Por Brian Dolan, Chefe Estrategista do Mercado A Queda do Mercado Atinge Níveis Extremos

As três primeiras semanas de 2016 já entraram para a história do mercado: a maior queda alguma vez registrada num início de ano.  Os investidores ficaram abalados e os pessimistas estão tendo o seu momento de atenção. No artigo da semana passada, eu argumentei que os investidores não devem entrar em pânico e devem, pelo contrário, manter o foco no quadro geral.  E esse quadro geral não mudou significativamente nas últimas três semanas.

As recentes quedas do mercado tornaram-se excessivas nos estudos técnicos de momentum (veja o Índice de Força Relativa [RSI] no Índice S&P 500 abaixo) e eu acredito que, neste momento, o excesso passou os limites. É por isso que os especialistas em tagarelice financeira começaram a falar que os mercados estão se desligando da economia real, o que era o meu argumento da semana passada.

S&P 500

Embora seja cedo demais para dizer que o mercado não vai cair mais, nos últimos dois dias houve alguns sinais de um potencial retorno no curto prazo. Minhas expectativas de +/- 5 ou 10% de movimentos nos mercados desenvolvidos foram confirmadas e, em alguns casos, ligeiramente ultrapassadas, enquanto o meu intervalo para os Mercados Emergentes, de +/- 10 ou 15%, ainda está intacto. Os preços do petróleo atingiram, sem dúvida, as minhas metas ("...não excluímos uma contração de 25 dólares/barril no US WTI, em comparação com os 28 dólares/barril no Brent"). É importante sublinhar que estes primeiros sinais de estabilização estão sendo reforçados por desenvolvimentos reais, que são o único jeito de atravessar a névoa numa crise de mercado.

Os Legisladores Econômicos Começam a Responder:

No panorama geral apresentado em minhas Perspectivas Globais de Mercado Para 2016, eu sugeri que, em muitas das principais economias do mundo, o apoio das políticas econômicas surgiria no decurso do ano. Os eventos do mercado aceleraram o calendário dessas decisões muito além das minhas expectativas, mas a questão essencial é que elas estão prestes a acontecer.

Mais especificamente, eu sugeri que o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BOJ) seriam obrigados a implementar um estímulo monetário adicional. Na conferência de imprensa de hoje, o presidente do BCE Mario Draghi deu indicações claras de que o BCE está analisando a possibilidade de expandir o seu programa de compra de ativos em sua reunião de março. Kuroda, o líder do BOJ, prefere esperar para ver o que acontece, mas é evidente que o assunto está sendo analisado.

Também quebrei o consenso geral ao sugerir que a Reserva Federal dos EUA seria muito mais lenta do que os mercados - e mais lenta do que ela própria estava sugerindo -, implementando "apenas um subida de juros adicional, se tanto...". As quedas acentuadas nos mercados mundiais e norte-americanos destruíram as expectativas de que o Fed subiria as taxas de juros em 2016, enquanto alguns analistas defendem que o Fed terá de recuar e, possivelmente, até cortar nas taxas.

Na China, previ que o governo central continuaria apoiando a economia e tomando medidas para estabilizar os mercados bolsistas domésticos. No Fórum Econômico Mundial (WEF) que está decorrendo em Davos esta semana, o vice-presidente chinês acaba de anunciar que a China continuará sendo um motor de crescimento global, e que as entidades oficiais 'protegerão' os investidores bolsistas individuais (mas não os especuladores predadores). Ele também declarou que a China não pretende desvalorizar o yuan.

Os mercados emergentes, excluindo a China, continuam a ser o principal problema, não mostrando quaisquer sinais de estabilização até ao momento.  No entanto, as perturbações no mercado do petróleo parecem ter atingido o seu limite, embora o índice CRB de mercadorias tenha atingido a paridade com a quebra de 2015 (mostrada abaixo), o que sugere que a queda poderá continuar. A estabilização do petróleo e de outras mercadorias poderia contribuir significativamente para acalmar a agitação do mercado, permitindo uma recuperação mais significativa.  Fique de olho nessas últimas baixas do petróleo e das mercadorias. Se falharem, a coisa pode ficar realmente preta (não é a minha expectativa).

CRB commodity index

Não Perca o Foco

As perspectivas de crescimento global foram abaladas mas não demolidas pelas mais recentes deslocações do mercado. Continuo antecipando um crescimento global estável, embora curto, num contexto em que as taxas de juros estão excepcionalmente baixas. Os mercados enviaram uma mensagem de alerta para os principais atores das grandes economias mundiais, e estes responderam com sinais de flexibilidade proativa. É provável que esses esforços contenham mais quebras, e deveremos esperar uma correção de curto prazo, no mínimo.

Num ponto de vista mais amplo, mantenho a minha opinião de que é provável que os principais mercados mundiais subam e desçam ao longo do ano, sugerindo uma tática de investimento mais proativa (comprando nas quebras/vendendo nas subidas). As perspectivas mundiais correm riscos suficientes para fazer cair os preços (como acabamos de ver) e também para limitar subidas muito significativas. É provável que as decisões de política econômica funcionem como um estabilizador, prevenindo resultados catastróficos (limitação de impacto negativo), mas não oferecem segurança suficiente para iniciar uma tendência prolongada de ascenso (limitação de impacto positivo). O primeiro movimento foi claramente descendente.  Está na hora de começar a planejar o que fazer quando os mercados recuperarem seu equilíbrio e os investidores entenderem que as perspectivas globais não são tão negativas assim.