O Reino Unido Saiu! Meu Deus! E Agora?

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Por Brian Dolan, Estrategista-Chefe de Mercado da DriveWealth

Os Mercados Estão Chocados com a votação do Brexit

Os mercados globais estão sendo abalados pela surpresa da eleição do Brexit do Reino Unido de sair da União Europeia. Eu e mais outros analistas de mercado tivemos previsões completamente erradas, assim como os mercados financeiros, que viram os ativos de risco (ações/commodities/Forex) entrarem em rali acentuadamente nas 48 horas antes da votação. Todos nós nos confiamos nas probabilidades das pesquisas e agenciadores de apostas e claramente subestimamos o papel das emoções no referendo. Essa vai ser a maior quentinha a se lembrar daqui para frente.

As liquidações de hoje estão muito alinhadas com as previsões do que poderia acontecer se a Grã-Bretanha realmente votasse pelo Brexit: ativos de risco seriam vendidos, fazendo os preços globais das ações cair, enquanto paraísos seguros de ativos (títulos governamentais, dólar americano, iene japonês e ouro) seriam comprados — uma reação clássica de evitar riscos. Até agora, a reação tem sido apenas reverter o rali rumo ao risco que precedeu imediatamente a votação, conforme visto no gráfico da EURO Stoxx 50 visto abaixo. A queda da libra inglesa (GBP) obviamente excedeu o rali anterior (não exibido). Isso me sugere que os mercados ainda têm que reagir completamente a nova e maior ainda realidade de um Reino Unido sem a Europa.

Brexit

Fonte: Bloomberg; DriveWealth

Os próximos dias será absolutamente críticos para compreender o rumo dos mercados no curto prazo e outros mercados de risco nos próximos meses. Temos um final de semana à frente, o que dá aos participantes do mercado uma chance para digerir o que aconteceu e formular novas estratégias. Seria uma meia verdade dizer que muitos nos mercados não têm ideia do que acontecerá depois disso. Nós nunca passamos por isso antes.

Como isso tudo deve terminar?

Para dar algumas estratégias para os investidores considerarem, eu sugeriria alguns cenários e níveis de preços para interpretar melhor os movimentos futuros do mercado. Sem nenhuma ordem em particular:

  • Muito tumulto por nada: Os mercados voltam na segunda-feira e desprezam o Brexit, decidindo que o intevalo de tempo de dois anos para negociar termos do Brexit com a UE significa que os movimentos atuais são prematuros e representam descontos profundos para, em contrapartida, ativos atrativos. Os mercados de risco repercutem acentuadamente e voltam rapidamente a testar as lacunas criadas pelo resultado do Brexit. O nível de preço chave será o destaque desta semana, e isso se um limite acima deles puder ser sustentado. Uma falha ou quase falha para preencher a lacona sugere que a maré se tornará negativa rapidamente.
  • Vamos todos morrer: O choque do Brexit e as incertezas rondando o futuro da UE são compostos por medo de um decréscimo global, intensificação da aversão a riscos e a diminuição direta das ações globais e ativos de risco/aumento do JPY, USD, XAU e do Tesouro americano. A Espanha passará por uma eleição geral no domingo e os resultados serão interpretados pelo que eles podem representar quanto à solidariedade da UE pós-Brexit. Uma derrota do governo constituído pró-UE provavelmente geraria uma negatividade intensa na Europa e no euro, enquanto uma vitória sugeriria que a Grã-Bretanha é a anomaliaàrisco positivo (o Reino Unido vem tendo um relacionamento atormentado com o continente desde os primeiros dias do projeto europeu). Desvalorizações abaixo das mínimas de fevereiro no índice Euro Stoxx 50 sugerem uma queda maior. Para a S&P 500, a fraqueza abaixo do nível 2040-50 (retração do rali de 23,6% desde as mínimas de fevereiro e o fundo da nuvem diária de Ichimoku (zona azul no gráfico abaixo)) sugeriria mais fraqueza adiante. Uma queda abaixo da linha 2025 sugeriria que se formou um pico duplo/triplo e dirige desvalorizações para a área 1930, o que coincide com a retração de 61,8% do rali desde fevereiro. O nível 2000 oferece tanto apoio psicológico a números redondos quanto a retração de 38,2% das movimentações a partir das mínimas de fevereiro.  Uma valorização acima da área de 2060-80 (topo da nuvem (laranja)/Kijun (amarelo)/Tenkan (roxo)) pode sugerir que o céu está ficando limpo.

S&P 500

Fonte: Bloomberg; DriveWealth

  • Investidores começam a fazer distinções entre mercados: Em algum ponto nas semanas à frente, os investidores provavlemente vão começar a tratar os mercados diferentemente, focando na Europa e no Reino Unido como sendo preocupações separadas do resto do mundo. O Brexit causa danos à perspectiva econômica do Reino Unido e, primariamente, representa risco político para a UE. O impacto econômico no resto do mundo deveria ser mínimo no longo prazo e o impacto no curto prazo deveria se dissipar relativamente rápido. O risco aqui é que o pânico dos investidores e o impacto de mercado se transformariam em um impacto econômico. Eu focaria em moedas seguras, como o dólar americano, o iene japonês e o franco suíço, e se eles começarem a se desvalorizar frente a outras moedas (exceto o euro e a libra), isso sugeriria que a aversão ao risco está diminuindo e a crise está abaixando.

Eu não ficaria surpreso em ver uma combinação de todos esses três cenários acontecendo nas semanas à frente conforme mudarmos de uma reação no curto prazo para um ajuste no longo prazo. Eu utilizaria desvalorizações abruptas nas bolsas americanas e japonesas/asiáticas em particular para entrar em posições oportunistas. Eu também sugeriria paciência e evitaria correr atrás de qualquer título de curto prazo.  Dado o panorama global, agora sobrecarregado pelo Brexit, parece muito improvável que os ativos de risco estejam prestes a decolar. Em algum ponto à frente, eu também ficaria inclinado a reatar com as bolsas continentais europeias.

Remorso de quem votou pelo Brexit?

Por último, também é possível que os bretões acordem depois do fim de semana, ou nas semanas seguintes, e perguntem “O que fizemos?”. Enquanto isso é bem improvável dada a intensidade dos apoiadores do Sair, o amanhecer do impacto do mundo real do Brexit nas vidas de bretões comuns pode levar a um grande repensar.

O referendo não é vinculado ao governo do Reino Unido, e uma mudança no sentimento público pode levar o governo britânico a adiar negociações de saída. Os investidores precisarão ficar a par de tais desenvolvimentos britânicos no verão e depois. Uma teoria popular na campanha do Fica é que, se o Brexit ganhasse, os bretões poderiam passar os próximos cinco anos tentando deixar a UE e os próximos cinco anos subsequentes tentando voltar. Talvez isso ocorra em um período de tempo mais curto.