O que acontece se o FMI aceitar o Yuan?

Por Kayleigh Yerdon, Estagiário de Verão 2015, Universidade de Cornell Na sexta-feira, 13 de novembro, a presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, deu luz verde oficial para o Fundo aceitar a moeda chinesa, o Yuan, como moeda de reserva. Se for aprovada, sua recomendação para atribuir o estatuto de moeda de reserva significa, essencialmente, que o Yuan se tornará uma moeda de "refúgio seguro": uma moeda que é detida "em quantidades significativas por governos e instituições como uma parte de suas reservas cambiais". As moedas com estatuto de reserva são consideradas menos propensas a perder valor aleatoriamente ou a flutuar de maneira significativa. Neste caso, o Yuan estaria ao lado do dólar americano, da libra britânica, do iene japonês e do euro como uma das moedas mais fortes, mais confiáveis e mais utilizadas no comércio internacional.

Em 30 de novembro,o conselho de administração do FMI se reunirá para decidir se aprova a recomendação de Lagarde e se dará à moeda o estatuto de reserva oficial. Esta seria a primeira moeda adicionada ao conjunto dos Direitos Especiais de Saque - a reserva de ativos do FMI utilizada para câmbio -desde a sua criação em 1981. Basicamente, poderia ser um grande passo para a China. E nós, como investidores, ficamos nos perguntando: o que acontecerá se o FMI aceitar oficialmente o Yuan?

Para começar, a aceitação do Yuan como uma moeda forte seria (finalmente) o início da re-estabilização da economia chinesa. Não é segredo que a China, segunda maior economia do mundo, lidou recentemente com uma grande turbulência econômica que levou muitos economistas e investidores a questionar se a economia chinesa entraria em colapso no final de agosto deste ano ou não. As preocupações dos especialistas sobre a solvência financeira sustentada no início deste ano estavam centradas em resultados econômicos positivos resultantes de booms causados por crédito, de bolhas, e do aumento do consumo como principal fonte de crescimento, entre outras coisas - o que criou grande volatilidade e instabilidade econômica. No entanto, a aceitação do Yuan como moeda de reserva significa que o Banco Popular Chinês (o banco central) se comprometeu a apoiar e modificar o sistema financeiro chinês e a abrir ainda mais seus mercados para os investidores internacionais - com uma meta de estabilidade financeira de longo prazo.

Além disso, um benefício adicional e importante da aceitação no FMI é que as pessoas que vivem em países que emitem moedas de reserva podem, muitas vezes, comprar bens importados e contrair empréstimos no exterior de forma mais barata do que as pessoas de países sem moedas de reserva. Isto decorre do fato de que a maioria dos países vai manter uma oferta significativa de moedas de reserva como medida de estabilidade financeira e cambial, o que significa que as pessoas que vivem em países que emitem moeda de reserva não precisam trocar suas moedas para comprar. Isso reduz o risco cambial para os comerciantes e torna o comércio internacional mais simples. No caso chinês, a aceitação do Yuan poderá estimular a economia chinesa e as economias dos países com os quais a China mantém relações comerciais.

Além dos benefícios comerciais, os investidores também preferem normalmente investir em economias com moedas fortes - especialmente em tempos de grande inflação ou percepção de risco - uma vez que acreditam que estas moedas são menos propensas a volatilidades acentuadas. Com a aprovação do FMI, os investidores chineses podem começar a sentir mais confiança para investir, tanto na China como no exterior. Além do mais, muitos investidores acreditam que a inclusão do Yuan no grupo dos Direitos Especiais de Saque irá "abrir o caminho para as empresas estrangeiras poderem vender títulos e ações na China" - abrindo, possivelmente, canais de investimento globais.

Se for aprovado no dia 30 de novembro, o Yuan não será oficialmente incluído no grupo de moedas até outubro de 2016, e as alterações que isso poderá trazer serão graduais. No entanto, é sempre uma boa ideia pensar com antecedência e se manter informado sobre os mercados globais, uma vez que mudanças como essa poderão afetar suas carteiras de investimento.